Anthropic pede abertura de capital na Nasdaq com o código ANT; fundadores ficam com 50,1% dos votos
A dona do Claude registrou na SEC o prospecto da sua oferta inicial de ações. O documento mostra receita de US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões puxado por ajustes contábeis e uma estrutura que deixa o controle com os sete cofundadores e um truste independente. Preço e quantidade de ações ainda não foram definidos.

A Anthropic, empresa que desenvolve o Claude, pediu nesta segunda-feira (26) para abrir o capital. O registro foi feito na SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA. O documento, chamado Form S-1, é o primeiro oficial e público com as contas da empresa. Antes, rascunhos tinham vazado à imprensa, segundo o TechCrunch. As ações de classe A devem ser listadas na Nasdaq Global Select Market com o código "ANT", diz o comunicado da Anthropic.
Ainda faltam os números que mais interessam ao investidor. O comunicado diz que a quantidade de ações e a faixa de preço "ainda não foram determinadas". O registro também não está em vigor. Até a SEC liberar, nenhuma ação pode ser vendida.
Receita alta, prejuízo maior ainda
Segundo o prospecto, a receita foi de US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, tinha sido de US$ 1,2 bilhão. Em anos fechados, a empresa faturou US$ 386 milhões em 2024 e US$ 4,6 bilhões em 2025.
Enquanto isso, o prejuízo operacional caiu para US$ 693 milhões no semestre. Um ano antes, era de US$ 2,1 bilhões. Já o prejuízo líquido chegou a US$ 80,7 bilhões. A diferença tem explicação contábil. Segundo o documento, US$ 72,4 bilhões vêm da variação do valor justo de notas conversíveis, derivativos e SAFEs. Em outras palavras, a alta no valor da empresa encareceu, no papel, dívidas que viram ações. O TechCrunch também atribui a maior parte dessa perda a ajustes contábeis sem efeito no caixa.
A própria empresa avisa que pode "não alcançar ou manter a lucratividade". Além disso, diz que não espera manter o ritmo de crescimento atual.
Em 30 de junho, a Anthropic tinha captado US$ 141,1 bilhões ao todo. O caixa somava US$ 112,4 bilhões, mais US$ 19,3 bilhões em aplicações de curto prazo.
Clientes grandes
A base empresarial é o argumento central do prospecto. Em 30 de setembro, mais de 11.900 clientes tinham gerado US$ 100 mil ou mais de receita em 12 meses. Destes, mais de 1.900 passaram de US$ 1 milhão. Cerca de 250 passaram de US$ 10 milhões.
Quem manda depois do IPO
A estrutura de controle é incomum. Logo antes da oferta, uma única ação de classe F irá para a Founder LLC, empresa organizada pelos cofundadores. Os sete são, de início, os únicos membros: Dario Amodei, Daniela Amodei, Tom Brown, Jack Clark, Jared Kaplan, Sam McCandlish e Christopher Olah. Essa ação vale 50,1% dos votos nas decisões gerais dos acionistas. Isso inclui eleger os conselheiros que não são indicados pelo truste. A ação, porém, não dá direito a lucro.
Ao mesmo tempo, existe o Long-Term Benefit Trust. Pelo prospecto, ele deve funcionar como um órgão independente de cinco curadores sem interesse financeiro. Por meio das ações de classe T, o truste elege a maioria do conselho. Quem comprar ações de classe A terá um voto por ação. Mesmo assim, o TechCrunch avalia que os acionistas do público terão pouco controle prático. O documento diz que a Anthropic será uma "empresa controlada" pelas regras da Nasdaq.
Segundo o prospecto, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley representam os bancos da oferta. Ao todo, são 22 instituições.
O risco no próprio prospecto
Na seção de riscos, a Anthropic repete o discurso público dos fundadores. O documento cita preocupações, inclusive dentro da empresa, sobre sistemas de IA muito avançados. Sem as devidas salvaguardas, eles poderiam trazer "riscos catastróficos ou existenciais à humanidade". Também registra que os modelos da empresa já ajudam a acelerar a própria pesquisa.
O que as fontes dizem de forma diferente
Os números de crescimento variam conforme o recorte. O prospecto fala em alta de 1.300% no semestre e de 1.368% no trimestre encerrado em junho. O Engadget usa o segundo número. Fazendo a conta com US$ 16,3 bilhões e US$ 1,2 bilhão, a alta fica perto de 1.260%. A diferença vem do arredondamento: o prospecto informa alta de US$ 15,1 bilhões, ou 1.300%, o que indica base perto de US$ 1,16 bilhão.
O Engadget diz ainda que a oferta pode avaliar a empresa em cerca de US$ 2 trilhões e que a estreia deve acontecer em meados de novembro. Nenhum dos dois dados aparece no prospecto nem no comunicado.
O que ainda não sabemos
- O preço por ação, a quantidade de papéis e quanto a empresa quer captar.
- A data da estreia na bolsa, que depende da análise da SEC.
- Quanto os acionistas atuais vão vender. O prospecto prevê ações vendidas por acionistas, mas sem número.
Nossa leitura
Até aqui, a Anthropic falava de segurança de IA em artigos e entrevistas. Agora, o mesmo argumento está num documento regulado, com peso legal. A estrutura de votos funciona como uma trava: quem comprar ações entra no negócio, mas não muda a direção da empresa. Para o usuário do Claude, nada muda de imediato. Na semana passada, a empresa lançou o Claude Duet. Com resultados trimestrais públicos, o ritmo de lançamentos tende a ficar sob mais escrutínio.
Fontes
- SEC (documento oficial)Anthropic, PBC: Form S-1 Registration Statement
- Anthropic (comunicado oficial)Anthropic files S-1 with the SEC for proposed initial public offering
- TechCrunchAnthropic officially files for its public debut
- EngadgetAnthropic files to go public


