EUA mandam agências civis tirarem o DeepSeek dos sistemas, inclusive ferramentas de terceiros
Uma ordem do Departamento de Segurança Interna proíbe agências civis federais de comprar produtos da DeepSeek e manda remover dos sistemas tanto os apps da empresa quanto serviços de terceiros construídos sobre os modelos dela.

O governo dos Estados Unidos mandou as agências civis federais pararem de comprar produtos da DeepSeek e tirarem a tecnologia da empresa chinesa dos seus sistemas. A ordem do Departamento de Segurança Interna (DHS) vai além do app de chat. Ela também alcança produtos e serviços de terceiros desenvolvidos com implementações do DeepSeek.
O documento se chama Ordem de Exclusão e Remoção nº 2026-01 e tem data de 24 de julho de 2026. Ele traz a assinatura de Markwayne Mullin, titular do DHS. No entanto, só veio a público agora. O aviso ficou disponível para inspeção pública na segunda-feira (19) e saiu no Federal Register, o diário oficial americano, na terça (20). Lemos a ordem assinada e reportagens do TechCrunch, da TNW e do IBTimes.
O que a ordem exige
Primeiro, as agências civis ficam proibidas de comprar produtos da DeepSeek e de empresas afiliadas. Isso inclui listas de produtos aprovados, listas de equipamentos de prestadores de serviço e mercados de e-commerce. Além disso, as agências precisam remover dos sistemas os produtos da empresa e as ferramentas de terceiros feitas com a tecnologia dela.
As duas medidas valem logo após a emissão da ordem. Ainda assim, há uma saída: a agência pode pedir uma exceção por escrito em até 60 dias. O pedido precisa de uma justificativa forte e de medidas para reduzir o risco. A CISA, agência de cibersegurança do DHS, analisa os pedidos e responde por escrito.
Enquanto a remoção não termina, o texto recomenda vigiar o tráfego de rede e reforçar os controles contra vazamento de dados. Além disso, a CISA pode dar ajuda técnica a quem não tiver equipe para cumprir a ordem. A medida passa por revisão em até um ano e, depois, todo ano.
Quem fica de fora
A ordem vale só para o Poder Executivo civil. Ficam de fora os sistemas de segurança nacional e de informação compartimentada, que dependem do Departamento de Guerra e do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional. Segundo o TechCrunch, uma lei de dezembro de 2025 já tinha mirado o uso do DeepSeek em sistemas de segurança nacional da área de inteligência.
A base legal é a Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais, de 2018. Essa lei criou um conselho que recomenda excluir produtos e serviços de risco, e a ordem seguiu essa recomendação.
Os motivos do governo
O DHS lista vários riscos. Os servidores da DeepSeek ficam na China. Lá, a lei dá ao Estado amplo acesso à infraestrutura de empresas privadas. Além disso, a criação de conta coleta dados pessoais e pode rastrear o usuário. Por fim, o que servidores ou fornecedores digitam no chat poderia levar dados sensíveis à China.
O texto ainda afirma que os modelos podem conter malware ou falhas de segurança. Como base, cita uma pesquisa independente de segurança que achou várias vulnerabilidades críticas no app da DeepSeek para iOS.
Reações e contexto
De acordo com o TechCrunch, Mao Ning, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que Pequim se opõe a "politizar questões de tecnologia e comércio". Por outro lado, a embaixada chinesa em Washington não comentou de imediato, segundo a TNW e o IBTimes. Segundo a TNW, a DeepSeek não comentou nas reportagens da Bloomberg e da Reuters.
A medida não surgiu do nada. Segundo a TNW, uma agência de TI do Pentágono bloqueou o chatbot em janeiro de 2025. O Departamento de Comércio e a Marinha também proibiram o uso em aparelhos de trabalho. Além disso, Nova York, Tennessee e Virgínia restringiram o app para servidores, como registram a TNW e o IBTimes.
Há também a briga sobre destilação, técnica de treinar um modelo com as respostas de outro. Os EUA acusaram a DeepSeek e outras cinco empresas chinesas de destilação em larga escala, diz um relatório de setembro citado pelo TechCrunch. Entre elas estão Alibaba e Moonshot AI. As fontes, porém, descrevem a queixa da OpenAI de formas diferentes. O TechCrunch fala em supostas tentativas de destilar os modelos da empresa. Já a TNW, citando a Bloomberg, diz que a OpenAI acusou a DeepSeek de usar o método para criar o R1.
Nossa leitura
O ponto mais difícil de cumprir é o de terceiros. Afinal, uma ferramenta pode usar a tecnologia do DeepSeek sem deixar isso claro para quem compra. Por isso, o prazo de 60 dias para pedir exceção tende a ser também o prazo para fazer esse inventário.
O que ainda não sabemos
- Quais ferramentas de terceiros serão afetadas.
- Por que a ordem, datada de julho, só foi publicada quase três meses depois.
- Se o mesmo veto chegará aos sistemas de segurança nacional, que dependem de outras autoridades.
- Se a DeepSeek vai contestar a medida.
Fontes
- Federal Register (DHS)Notice of Order Regarding Exclusion and Removal of DeepSeek Products From Federal Civilian Executive Branch Information Technology Systems and Procurements
- TechCrunchUS orders federal agencies to remove China's DeepSeek AI from their systems
- TNWUS orders civilian federal agencies to remove DeepSeek from their systems
- IBTimes UKUS Orders DeepSeek Off Government Systems, Including Third-Party Tools Built on It


