Oura lança o Cardio Effort e passa a estimar o VO2 máximo sem teste de caminhada
O anel da Oura ganhou uma medida de esforço cardiovascular por treino e por semana e uma estimativa automática do VO2 máximo feita a partir de treinos com GPS. O VO2 máximo fica no Oura Labs, área de recursos experimentais, para o anel de terceira geração e posteriores.

A Oura anunciou nesta terça-feira (20) dois recursos novos para o seu anel inteligente. O primeiro é o Cardio Effort, que mede quanto cada treino exigiu do coração. Esse esforço também é somado ao longo da semana. O segundo é uma estimativa automática do VO2 máximo, feita a partir de treinos comuns com GPS. Com isso, sai de cena o teste de caminhada de seis minutos que a versão anterior pedia.
Esta matéria se baseia no anúncio publicado no blog da Oura e em reportagens do TechCrunch e da Engadget. Descrições de funcionamento e de benefício para a saúde são alegações da empresa.
Como funciona o Cardio Effort
Segundo a Oura, o Cardio Effort é uma medida de carga fisiológica. Ele combina a intensidade do treino com a duração do esforço. Por isso, de acordo com o TechCrunch, um treino curto e intenso pode render um resultado parecido com o de um treino longo e leve. A base é um método conhecido como Training Impulse, ou TRIMP, que a empresa diz traduzir para uma linguagem simples.
A Oura diz que não usa fórmulas genéricas de frequência cardíaca. Em vez disso, o cálculo parte da frequência de repouso e da linha de base de cada pessoa. Segundo o TechCrunch, isso evita a variação das estimativas de frequência cardíaca máxima.
O total da semana começa em zero no primeiro dia e cresce a cada atividade. No fim, ele cai em uma de cinco faixas. São elas: leve, razoável, manutenção, evolução e limite (em inglês, Light, Fair, Maintaining, Building e Reaching). A última faixa, diz a Oura, indica que pode ser hora de priorizar a recuperação. Não há nota de 0 a 100 nem valor máximo fixo.
Além disso, o recurso vale para treinos iniciados no app, registrados à mão ou detectados de forma automática. Caminhada, musculação, ioga, pilates, ciclismo e até tarefas de casa entram na conta. A condição é que sejam registrados ou confirmados como treino. Quando faltam dados de frequência cardíaca, o app mostra um valor estimado, com o rótulo "Est. Cardio Effort". Atividades registradas à mão também recebem um valor estimado. Segundo a empresa, a falta de dados pode ocorrer quando se segura algo com força por muito tempo, como na musculação e no ciclismo.
As faixas pessoais usam uma janela móvel de seis semanas. Elas só aparecem depois de duas semanas de uso do anel. O app mostra ainda tendências de um, três e seis meses.
VO2 máximo sem teste
O VO2 máximo é a captação máxima de oxigênio, um indicador de condicionamento aeróbico. Segundo o TechCrunch, medir esse valor costumava exigir um teste em laboratório ou o teste de caminhada de seis minutos. A Oura já oferecia a medida no Oura Labs, com o nome Cardio Capacity. Porém, como lembram a empresa e a Engadget, ela dependia desse teste de caminhada.
Agora, a estimativa é passiva. Depois de cinco caminhadas, corridas ou trilhas com GPS, o usuário recebe o primeiro valor, em ml/kg/min. A tela mostra também uma categoria (baixa, razoável, alta ou pico). Além disso, exibe a evolução no tempo e a data da última atualização. Quem fez um teste em laboratório ou em outro aparelho pode salvar o resultado no app. Esse número, porém, fica separado e não substitui a estimativa da Oura.
O recurso continua no Oura Labs, área de funções experimentais que, segundo a empresa, podem mudar com o tempo. Ele vale para o anel de terceira geração (Gen3) e modelos posteriores.
O que ainda não sabemos
As três fontes não informam se os recursos exigem a assinatura da Oura. Também não dizem em quais países chegam, nem há data para o Brasil. Ninguém da empresa foi citado por nome.
Há ainda uma lacuna sobre modelos compatíveis. O TechCrunch diz que o Cardio Effort chega ao Gen3 e aos modelos seguintes. Já o blog da Oura só define modelos para o VO2 máximo. Além disso, nenhuma das fontes apresenta testes de precisão da nova estimativa automática. Tampouco há aviso de que o anel não é um aparelho médico.
Nossa leitura
O movimento é de recuperar terreno. A Engadget lembra que o Apple Watch e o Fitbit medem métricas parecidas há algum tempo. Segundo o site, a novidade pode tornar o anel mais atraente para quem prefere não usar relógio ou pulseira. O TechCrunch, por sua vez, enquadra o anúncio na disputa com anéis rivais, como os da RingConn e da Ultrahuman.
A mudança de foco também chama atenção. Em vez de contar minutos de exercício, a Oura quer dizer se a pessoa está mantendo o condicionamento, melhorando ou exagerando. Ainda assim, o VO2 máximo segue rotulado como experimental. Portanto, vale tratar os números como tendência pessoal, não como diagnóstico.


