Gemini 4 Carbon, do Google, começa só com equipes de segurança
O novo modelo do Google é focado em código e cibersegurança. O acesso começa nesta semana com um grupo restrito de especialistas em segurança; desenvolvedores e consumidores ainda não têm data. Os números são alegações da empresa.

O Google anunciou na quarta-feira (28) o Gemini 4 Carbon, seu novo modelo de fronteira. A empresa diz que ele é o mais forte que já fez, com foco em tarefas longas de programação e em cibersegurança. Mesmo assim, quase ninguém pode usá-lo por enquanto. O acesso começa nesta semana por um grupo restrito de especialistas em defesa cibernética.
O anúncio é assinado por Koray Kavukcuoglu, vice-presidente sênior do Google DeepMind e arquiteto-chefe de IA do Google. Segundo o texto, o Carbon chega duas semanas depois do Gemini 4 Argon. Os números de desempenho abaixo são alegações do Google, sem teste independente.
Quem recebe primeiro
O Google diz que vai liberar o Carbon a partir desta semana a um grupo selecionado de especialistas em defesa cibernética. Depois, o acesso será ampliado aos poucos para outros parceiros de confiança, pelo programa Fairwind. Desenvolvedores, empresas e consumidores ficam para depois. A empresa diz que ainda coleta retorno e ajusta as proteções antes de abrir o modelo "o mais rápido possível", sem data.
O Engadget descreve o primeiro grupo como "empresas selecionadas de defesa em cibersegurança". O post do Google também menciona que a empresa participa do processo voluntário do governo dos EUA para testar modelos antes do lançamento.
O que é o Fairwind
O Fairwind é o programa do Google DeepMind que dá acesso antecipado a modelos avançados para quem defende redes. A página do programa fala em mais de 650 parceiros no mundo. A prioridade é de governos e de parceiros mais críticos para a resiliência da sociedade. Entre os grupos listados estão autoridades nacionais de cibersegurança, operadores de infraestrutura crítica (saúde, telecomunicações, energia e redes financeiras) e plataformas centrais de tecnologia.
As regras incluem checagem de antecedentes, autenticação por usuário e MFA resistente a phishing. No caso do Argon, o acesso fica restrito a equipes internas de segurança, resposta a incidentes ou testes de invasão. A página, porém, cita só o Argon. Ela ainda não descreve como o Carbon será oferecido no programa.
Os números que o Google apresenta
No Artificial Analysis Intelligence Index v5.0, o Google diz que o Carbon ficou em primeiro lugar, com 59 pontos. O post não nomeia rivais. Já o Engadget afirma que o modelo ficou "logo à frente" do Claude Opus 5.5 e do GPT-6 Astra. No WebDev Arena, o Carbon subiu 89 pontos de Elo e chegou ao quarto lugar, com 1768.
Na parte de segurança, os números são estes, segundo o Google:
- SEC-bench Pro (achar vulnerabilidades): 88,2%.
- ExploitGym (explorar falhas): 54,8%.
- CWE-bench, da Collinear (corrigir falhas): 71,0%.
A empresa diz que os testes externos foram feitos sem as travas de proteção. Em testes internos, o Carbon teria mais que o dobro de sucesso que o Argon ao gerar código seguro. Além disso, a equipe do Chrome relatou desempenho "mais de 10 vezes" melhor que um grande modelo de outro laboratório, que não foi nomeado, ao gerar correções.
Também há números de comportamento. Segundo o Google, a trapaça bem-sucedida no Terminal-Bench 4.0 caiu a 0,0%, e as tentativas, a 0,4%. No teste de injeção indireta de prompt da Gray Swan, a taxa de ataques bem-sucedidos foi de 0,0%, contra 0,7% do Argon. Por fim, em ambientes de programação com equipes internas, os alertas graves de desalinhamento caíram "quase 80%". O post não informa a base dessa comparação.
Quanto vai custar
O preço de lançamento é o mesmo do Argon: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída. Entradas em cache saem 95% mais baratas. Depois do período introdutório, o preço sobe para US$ 4 e US$ 20. Contudo, o Google não diz quando esse período termina nem quando o modelo chega à API.
O que ainda não sabemos
O post não informa janela de contexto, nome do modelo na API nem em quais produtos ele vai aparecer. Também não diz quem é o "outro laboratório" do teste do Chrome. A tabela completa de comparações está publicada só como imagem, e os números de rivais citados pelo Engadget não aparecem no texto do Google.
Há ainda um cuidado com o CWE-bench. A página do Fairwind mostra o Argon com 68,0% no "CWE-bench v1", mas o post do Carbon não informa a versão usada. Por isso, não dá para saber se os dois números são comparáveis.
Nossa leitura
O Google repete com o Carbon a estratégia usada no Argon: primeiro as equipes de segurança, depois o público. Em teoria, isso dá vantagem a quem protege sistemas antes que atacantes tenham o mesmo modelo. Já vimos o peso disso no caso das falhas críticas do PHP achadas com IA. Na prática, porém, o anúncio pede confiança. Quase todos os números vêm do próprio Google, e o modelo ainda não pode ser testado por terceiros.
Leia também: Gemini 4 Argon chega à API do Google e falhas críticas no PHP achadas com IA.


