NASA encerra o Swift depois de quase 22 anos; observatório deve reentrar na atmosfera em semanas
O observatório Neil Gehrels Swift fez sua última observação em 20 de outubro, já abaixo de 275 km de altitude. A NASA encerrou a missão científica e diz que a reentrada deve ocorrer nas próximas semanas. Uma tentativa comercial de elevar a órbita, com a nave LINK da Katalyst, não chegou a tentar o reboque.

A NASA encerrou a missão científica do observatório Neil Gehrels Swift, em órbita desde 2004. A última observação foi feita em 20 de outubro. O satélite agora está abaixo de 275 km de altitude, onde o arrasto da atmosfera impede que os telescópios mirem um alvo de forma estável. Segundo a agência, a reentrada na atmosfera deve acontecer nas próximas semanas.
Esta matéria se baseia em três publicações oficiais da NASA: o anúncio do fim da missão e o post do blog do Swift, ambos de sexta-feira (23), e o balanço da tentativa de reboque, de 28 de setembro.
Como o Swift chegou ao fim
Segundo a NASA, o aumento da atividade solar ampliou o arrasto atmosférico sobre o satélite. Assim, ele passou a perder altitude rapidamente. Sem intervenção, a previsão era de reentrada até o fim de 2026.
Para ganhar tempo, o centro de operações da missão, sediado na Penn State, mudou a rotina. A partir de dezembro de 2025, alvos científicos foram trocados por posições do céu que reduziam o arrasto. Em fevereiro, o Swift já só fazia isso. De meados de fevereiro ao fim de agosto, não houve observações científicas apontadas. O objetivo era manter o observatório acima de cerca de 300 km. Essa era a altitude tratada como ponto sem volta.
Depois que a tentativa de reboque fracassou, o Swift voltou a observar. Segundo o blog da missão, foram centenas de alvos, de restos de explosões estelares a cometas. Só que as observações aumentaram de novo o arrasto. Em 20 de outubro, o satélite chegou a 275 km e entrou em modo de segurança. Em seguida, a equipe enviou o comando que, na prática, encerrou as operações para preparar a reentrada.
A tentativa de reboque que não aconteceu
Em setembro de 2025, a NASA contratou a Katalyst Space, de Flagstaff, no Arizona, para elevar a órbita do Swift. A empresa teve cerca de um ano para construir e lançar uma nave de serviço. A nave, chamada LINK, subiu em julho de 2026 num foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman. O lançamento foi no Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.
Logo depois, porém, a LINK teve perdas de comunicação e problemas de controle de orientação. NASA e Katalyst reduziram a missão: a nave não tentaria mais agarrar nem empurrar o Swift. Em vez disso, faria testes da propulsão a xenônio e dos três braços robóticos. A NASA não informa quais deram certo. O presidente da Katalyst, Ghonhee Lee, admitiu que nem todos os objetivos foram cumpridos. A agência encerrou formalmente sua participação em 3 de setembro, e a LINK reentrou na atmosfera em 25 de setembro.
As fontes oficiais divergem num detalhe. O post do blog de 23 de outubro diz que a missão de serviço "terminou em agosto". Já o balanço de setembro dá 3 de setembro como fim formal da participação da NASA. O valor do contrato não aparece em nenhuma das páginas.
O que o Swift deixou
O Swift foi lançado em 20 de novembro de 2004 para uma missão principal de dois anos. Durou mais de dez vezes isso. Em 2018, a NASA deu a ele o nome de Neil Gehrels, seu primeiro investigador principal.
O satélite foi feito para estudar surtos de raios gama, explosões breves demais para os grandes telescópios. Por isso, precisava detectar o evento, divulgar a posição e girar em cerca de um minuto. Quem explica é o investigador principal, S. Bradley Cenko, do Centro Goddard. Segundo a NASA, o Swift observou mais de 2.000 surtos de raios gama e estudou mais de 1.400 supernovas. Além disso, fez um levantamento de raios X do céu inteiro. Os dados entraram em cerca de 7.000 artigos científicos.
Um marco foi o GRB 050509B, em maio de 2005. Foi o primeiro surto curto de raios gama com brilho residual detectado. A observação reforçou a teoria de que surtos curtos vêm da fusão de estrelas de nêutrons. O arquivo público soma quase 22 anos de dados e cerca de 12 terabytes. Só o telescópio ultravioleta e óptico gerou mais de 1,5 milhão de imagens.
Para Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA, o Swift deu ao país um retorno duradouro sobre o investimento.
O que ainda não sabemos
A NASA não deu data nem local para a reentrada. As páginas também não dizem se partes do satélite podem chegar ao solo. Sobre o futuro, a agência fala em novas formas de reagir rápido a eventos cósmicos. Enquanto isso, missões atuais vão ajudar a cobrir a lacuna. Contudo, ela não nomeia nenhuma substituta.
Nossa leitura: satélites em órbita baixa dependem do humor do Sol. No caso do Swift, a atividade solar encurtou a vida de uma missão que seguia produzindo ciência. O reboque comercial era uma aposta de alto risco, como a própria NASA admitiu, e nem chegou a ser tentado. Ainda assim, deixa lições para futuros serviços em órbita. Outro observatório da NASA começa agora sua fase científica: veja o comissionamento do telescópio Roman.
Fontes
- NASA ScienceNASA's Swift Mission Ends, Leaves Behind Scientific Bonanza
- NASA Science (blog do Swift)NASA's Swift Mission Ends Ahead of Re-Entry
- NASA ScienceNASA Highlights Lessons Learned From Swift Boost Mission


