Telescópio Roman, da NASA, entra na fase de comissionamento científico
Quase dois meses depois do lançamento, a NASA diz que o telescópio espacial Roman está totalmente funcional e começou a calibrar a qualidade das imagens. A agência não deu data para o início da ciência; as primeiras imagens são esperadas até o começo de 2027.

O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, passou para a fase de comissionamento científico. A agência anunciou a mudança na quinta-feira (22), depois de concluir a checagem do observatório e do seu instrumento principal. Agora, a equipe faz observações de teste. O objetivo é calibrar o instrumento e refinar a qualidade das imagens antes da ciência de verdade.
Esta matéria se baseia nas publicações oficiais da NASA sobre a missão. Os dados de desempenho são da própria agência.
O que já foi testado
Segundo Julie McEnery, cientista sênior do projeto no Centro Goddard, o observatório consegue se guiar, fazer exposições e girar de um alvo para outro. Os dados também fluem de forma apropriada. "Nós estabelecemos que o observatório está totalmente funcional", disse McEnery. Daqui em diante, o foco é a qualidade das imagens.
Um dos receios da equipe era o sistema de guiagem fina. Tom Barclay, cientista do projeto para operações, conta que havia dúvida sobre o desempenho em campos com estrelas muito próximas ou em regiões cobertas por poeira densa. Por isso, a equipe apontou o telescópio para regiões assim. Segundo Barclay, o Roman se saiu muito bem em todos os casos.
Além disso, a NASA diz que alguns sistemas do observatório estão funcionando melhor do que o exigido. A agência afirma que isso pode abrir novas possibilidades científicas, mas não diz quais.
O ajuste fino do foco
O passo anterior foi descrito em outra publicação da NASA, de 14 de outubro. O Wide Field Instrument, a câmera principal do Roman, foi ligado em setembro. Em seguida, os engenheiros testaram os 18 detectores, a roda de filtros, as luzes internas de calibração e o controle térmico.
Depois, veio o foco. Para isso, a equipe moveu o espelho secundário em cerca de um dezesseis avos da espessura de um fio de cabelo. O resultado ficou acima do esperado. O requisito de qualidade óptica era um erro de cerca de 90 nanômetros (RMS). Após as correções, a óptica do instrumento ficou com 63 nanômetros (RMS). Segundo a NASA, o desempenho é quase 30% melhor do que a equipe previa. A comparação é com a previsão da equipe, e não com o requisito.
Já o coronógrafo, um instrumento para demonstrar tecnologia, começou com imagens um pouco fora de foco. A correção, segundo a agência, foi relativamente simples. Na publicação de 14 de outubro, a NASA dizia que o teste de bloqueio de luz viria nas próximas semanas.
Por que a nitidez importa tanto
Josh Schlieder, cientista do Wide Field Instrument, explica que tremores de apontamento e desfoque precisam ser mínimos. Isso porque pequenas falhas podem esconder os sinais fracos que os cientistas querem medir. Segundo Schlieder, uma observação típica do instrumento detecta objetos cerca de cem milhões de vezes mais fracos do que o olho humano consegue ver.
O Roman foi feito para estudar a matéria escura, a energia escura e planetas fora do Sistema Solar. Para isso, a NASA diz que ele foi projetado para fazer um levantamento do universo mil vezes mais rápido que o Hubble. A missão deve gerar 1,4 terabyte de dados por dia. É a maior taxa entre as missões de astrofísica da NASA até hoje.
O Hubble, aliás, já trabalha para o Roman. Na mesma quinta-feira, a NASA divulgou uma imagem de uma lente gravitacional. Uma galáxia a cerca de 4,5 bilhões de anos-luz curva a luz de outra, a cerca de 8 bilhões. O Hubble observa essas lentes uma de cada vez. Com o campo de visão amplo, o Roman deve reunir uma amostra bem maior delas. Assim, as imagens nítidas do Hubble ajudam a montar um modelo para analisar os dados do novo telescópio.
Do lançamento até aqui
O Roman decolou em 30 de agosto de 2026, às 7h26 no horário da Costa Leste dos EUA (8h26 em Brasília), num foguete Falcon Heavy da SpaceX. A partida foi do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O destino é o segundo ponto de Lagrange entre o Sol e a Terra (L2). Fica a cerca de 1,6 milhão de quilômetros daqui. A viagem até lá leva cerca de três meses, e o comissionamento acontece nesse caminho.
O que ainda não sabemos
No anúncio de 22 de outubro, a NASA não disse quando a fase científica começa. Também não disse quanto tempo dura a calibração. O comunicado do lançamento falava em um comissionamento de três meses, mas a agência não diz se a nova etapa cabe nele. A página da missão afirma que o cronograma pode mudar. Há também uma diferença de palavras: o título do anúncio fala em "fase final de comissionamento", enquanto o texto fala em "comissionamento científico". A agência não explica se são a mesma coisa.
Por outro lado, o comunicado do lançamento dá uma pista: as primeiras imagens devem sair até o começo de 2027. O resultado do teste do coronógrafo também ainda não foi divulgado.
Nossa leitura: os números até aqui são bons, e a óptica ficou melhor do que o exigido (63 nanômetros contra cerca de 90). Mesmo assim, o teste que vale é o das primeiras imagens científicas. Até lá, tudo o que se sabe vem da própria NASA. Para outra frente da agência nesta semana, veja a matéria sobre a nova pá para helicópteros de Marte.
Atualizado em 24/10/2026: revisão com conferência independente das fontes. Esclarecemos que o "quase 30% melhor" compara com a previsão da equipe, e não com o requisito de 90 nanômetros. Ajustamos a descrição da taxa de dados e da velocidade de levantamento do universo para o que a NASA escreve, atribuímos o prazo do teste do coronógrafo à publicação de 14 de outubro e acrescentamos o período de comissionamento de três meses citado no comunicado de lançamento.
Fontes
- NASA ScienceNASA's Roman Space Telescope Enters Final Commissioning Phase
- NASA ScienceNASA Roman Team Checks Out Main Instrument, Sharpens Telescope's Focus
- NASANASA's Dark Universe-Seeking Nancy Grace Roman Space Telescope Launches
- NASA ScienceRoman Commissioning
- NASA ScienceNASA's Hubble Charts Path for Roman with Gravitational Lenses


