EUA propõem luz ciano opcional para mostrar quando o carro dirige sozinho
A NHTSA, agência de segurança no trânsito dos EUA, publicou nesta segunda-feira (26) uma proposta que permite luzes ciano em veículos quando o sistema de direção autônoma está no controle. A luz não seria obrigatória. Para veículos sem comandos manuais, o texto também tira exigências pensadas para carros com volante e pedais. Comentários vão até 25 de novembro.

A agência de segurança no trânsito dos Estados Unidos quer uma cor própria para os carros que dirigem sozinhos. A NHTSA publicou nesta segunda-feira (26), no Federal Register, uma proposta que permite luzes ciano nos veículos quando o sistema de direção autônoma está no controle. A luz seria opcional. O público pode enviar comentários até 25 de novembro.
A proposta altera a norma federal de iluminação, a FMVSS 108. O documento leva a assinatura de Jonathan Morrison, que comanda a NHTSA. Além da luz nova, o texto tira exigências que só fazem sentido em carros com volante e pedais.
Como seria a luz
O documento chama a peça de "ADS marker lamp", algo como luz indicadora de direção autônoma. A cor é o ciano, o azul-esverdeado definido pela norma SAE J578. Segundo a NHTSA, a luz indica que o veículo roda sem a expectativa de que um ocupante esteja vigiando a via.
As regras propostas são detalhadas:
- Quantidade: de quatro a oito lâmpadas, com uma ou duas na frente, em cada lateral e atrás.
- Altura: pelo menos 15 polegadas do chão, cerca de 38 cm.
- Funcionamento: luz fixa, sem piscar. Todas ligam e desligam juntas.
- Acionamento: pode acender sozinha quando o sistema assume. Por outro lado, deve apagar sozinha quando alguém precisa voltar a vigiar a via. Diferente da norma da SAE, a proposta não proíbe um comando manual, e a NHTSA pede opiniões sobre isso.
- Restrição: carros sem direção autônoma ficariam proibidos de usar a luz.
Um carro autônomo sem essas lâmpadas continuaria legal. Segundo o documento, a NHTSA não propõe obrigar todos os veículos com direção autônoma a ter a luz. Além disso, a agência não prevê custo adicional para as montadoras, mas diz que ainda não quantificou custos e benefícios. Se adotada, a regra valeria de imediato.
Menos regras feitas para motoristas
A outra metade da proposta mira veículos sem comandos manuais. Exigências ligadas ao motorista passariam a valer só para carros com volante e pedais. É o caso do cancelamento automático da seta e da troca do farol alto pela mão ou pelo pé. Também entram nessa lista regras do pisca-alerta e as luzes-espia da seta e do farol alto.
Há ainda mudanças técnicas. Faróis de feixe integral deixariam de ser testados a 12,8 volts fixos. Em faróis montados na vertical, cairia a regra que põe o facho baixo acima do alto.
O TechCrunch liga a proposta a um esforço maior da agência para atualizar normas escritas antes de veículos como o Cybercab, da Tesla, e o robotáxi da Zoox. Esses carros não têm pedais, volante nem espelhos. Segundo a Motor1, que cita um comunicado da NHTSA, Morrison disse que as regras cortam "encargos regulatórios desnecessários". O documento oficial usa a mesma expressão.
De onde veio a ideia
A Mercedes-Benz apresentou recomendações numa reunião com a NHTSA e, em 2024, a um grupo de trabalho da UNECE, comissão da ONU. Segundo o documento, a montadora fez uma validação de dois anos nas ruas da Califórnia, de 2023 a 2025, com cinco veículos. Aqui as fontes divergem: a Motor1 diz que os testes foram na Califórnia e em Nevada. O texto da NHTSA e a Electrek citam só a Califórnia.
Em janeiro de 2026, aliás, a Califórnia já permitia essas luzes. A NHTSA entende, de forma preliminar, que a regra federal prevaleceria sobre a estadual onde houver diferença. Esse é um dos pontos abertos a comentários.
A China segue na mesma direção. Segundo a CnEVPost, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) abriu em 20 de outubro uma consulta com uma luz opcional na cor turquesa. Ela valeria para sistemas de nível 3 ou acima e acenderia sozinha. A vigência sugerida é 1º de janeiro de 2028, e a consulta vai até 19 de dezembro. As fontes não dizem se o turquesa chinês e o ciano americano seguem a mesma especificação.
O que ainda não sabemos
- Se a luz vai mesmo existir: é uma proposta. A versão final pode mudar depois dos comentários.
- Se vai piscar: a NHTSA pergunta ao público se a luz deveria poder piscar ou sinalizar a intenção de movimento.
- Quem vai usar: nenhuma das fontes diz quais empresas pretendem instalar a luz, além da Mercedes, que testou o recurso.
- Efeito nos estados: a agência pede opinião sobre tirar dos estados o poder de exigir essas luzes.
Nossa leitura
Hoje, quem cruza com um carro autônomo na rua nem sempre sabe se há alguém responsável pela direção. Uma cor única resolve parte disso. Porém, como a luz é opcional, o sinal só funciona se as empresas aderirem e se o público aprender o que ela significa. A proposta chega num momento de expansão. A Waymo, por exemplo, quer 20 mil robotáxis até o fim de 2027, segundo a Semafor, e a Tesla promete o Cybercab ao consumidor. Quanto antes a cor for definida, mais fácil será o público aprender o que ela quer dizer.
Fontes
- Federal Register (NHTSA)Modernization of FMVSS No. 108 To Accommodate ADS-Equipped Vehicles
- ElectrekNHTSA proposes cyan lights for robotaxis, following Mercedes/China
- TechCrunchTechCrunch Mobility: Blue-green is the color of autonomy
- Motor1Feds Wants Robotaxis To Use Cyan Lights To Signal Self-Driving Mode
- CnEVPostChina proposes uniform rules for automated driving lights, targeting 2028 roll-out


