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Europa vai exigir 'RG' digital em baterias de carros e bicicletas

A partir de fevereiro de 2027, baterias de carros elétricos, bicicletas elétricas e patinetes vendidos na União Europeia devem trazer um QR code ligado a uma ficha com dados da bateria. A Comissão Europeia chama a data de indicativa, e as fontes não dizem quais dados o consumidor comum vai conseguir ver.

Bateria preta com faixas laranja encaixada no quadro de uma bicicleta elétrica, com a mão de um ciclista de luva no guidão
Foto: Nenad Stojkovic, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

A União Europeia vai exigir um passaporte digital nas baterias de carros elétricos, bicicletas elétricas e patinetes. Na prática, é uma espécie de RG da bateria. Um QR code leva a uma ficha com dados sobre quem a fabricou, como ela se comporta e como reciclá-la. Segundo a Comissão Europeia, a regra vale a partir de 18 de fevereiro de 2027 para baterias novas no mercado do bloco.

A exigência não vale no Brasil. Mesmo assim, ela atinge fabricantes do mundo todo que vendem na Europa.

O que é o passaporte

Segundo a Comissão, as baterias são o primeiro produto com passaporte digital obrigatório na União Europeia. A base é o Regulamento de Baterias (UE 2023/1542), em vigor desde agosto de 2023. Além disso, o passaporte usa um sistema técnico comum, criado pela regra europeia de ecodesign (Regulamento 2024/1781).

Cada passaporte fica ligado à bateria por um QR code. Os dados, porém, não ficam num banco central. Quem responde pela bateria guarda e atualiza as informações, diz a Comissão.

Quais baterias entram

A lista da Comissão tem quatro grupos:

  • baterias de carros elétricos;
  • baterias de bicicletas elétricas, ciclomotores e patinetes elétricos;
  • baterias que guardam energia em casa;
  • baterias industriais.

Já o Electrek, site americano de veículos elétricos, não menciona as baterias domésticas e as industriais. O regulamento também trata de pilhas comuns e de baterias de partida de carros. No entanto, essas duas não aparecem na lista do passaporte.

O que a ficha mostra

De acordo com a Comissão, a ficha pode trazer cinco grupos de dados, conforme o tipo de bateria:

  • identificação e características técnicas;
  • dados do fabricante e da empresa responsável;
  • desempenho e durabilidade;
  • informações para conserto, reaproveitamento e reciclagem;
  • dados de sustentabilidade.

O Electrek vai além. Segundo o site, a ficha inclui química, capacidade, número de ciclos de carga e pegada de carbono. Também traria os materiais usados e dados de desgaste. Esses itens não aparecem na página da Comissão que lemos.

Nem tudo será público. A Comissão publica uma tabela com os dados de cada categoria, atualizada em 19 de outubro de 2026, que separa itens abertos e restritos. Essa tabela não foi consultada. Já o Electrek alerta que parte dos dados pode ficar só com usuários autorizados. Assim, o consumidor talvez não veja a porcentagem de saúde da bateria ao escanear o código.

Quem precisa cumprir

A obrigação é da empresa que coloca a bateria pronta no mercado europeu, segundo a Comissão. Fornecedores de peças e módulos ficam de fora. Além disso, o regulamento vale para baterias de qualquer origem, diz a página de meio ambiente da Comissão.

O Electrek cita as americanas Trek e Specialized, que vendem muito na Europa. O site também aponta fabricantes da China e de outros países da Ásia. Essa lista é uma avaliação do próprio site, sem comentário das marcas.

Há quem tenha saído na frente. Em 2024, a Volvo anunciou o que chamou de primeiro passaporte de bateria de carro elétrico do mundo, no SUV EX90. O sistema foi criado com a startup britânica Circulor e usa blockchain (um registro digital difícil de alterar). Para ver os dados, o dono escaneia um QR code na porta do motorista. Na época, o diretor-executivo da Circulor estimou o custo em cerca de US$ 10 por carro ao longo de 15 anos.

Nossa leitura: por que importa fora da Europa

Nos Estados Unidos, não existe exigência parecida para bicicletas elétricas, lembra o Electrek. Depois de montar o sistema para a Europa, os fabricantes podem estendê-lo a outros mercados com mais facilidade. Ainda assim, o site ressalta que isso não acontece automaticamente.

Nossa leitura é que o raciocínio vale para o Brasil, embora nenhuma fonte trate do mercado brasileiro. Na compra de um elétrico usado, a maior dúvida costuma ser o estado da bateria. Segundo o Electrek, oficinas, recicladoras e compradores de usados estão entre os que podem ganhar com a ficha.

O que ainda não sabemos

  • A data final. A Comissão chama o cronograma de indicativo. O Electrek trata 18 de fevereiro de 2027 como data fixa.
  • Se as etapas de julho saíram. A Comissão previa para 20 de julho de 2026 a entrada em operação do registro de passaportes. A página não diz se isso aconteceu.
  • O que o consumidor vai ver. As fontes que lemos não dizem quais itens da ficha ficam abertos ao público.
  • Se a ideia chega a outros países. As fontes não dizem se o passaporte vai aparecer em baterias vendidas fora da Europa.

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Fontes

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