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LiveWire, a moto elétrica da Harley, põe em dúvida o próprio futuro

A LiveWire, marca de motos elétricas controlada pela Harley-Davidson, avisou que há dúvida séria sobre sua capacidade de continuar operando. O caixa caiu pela metade em nove meses, a empresa passou a dever mais do que tem e um comitê vai estudar financiamento, venda ou reestruturação.

Moto elétrica preta da LiveWire estacionada ao lado de um carregador de parede, com um capacete no chão
Foto: Robertedwardkroll, CC0, via Wikimedia Commons

A LiveWire, marca de motos elétricas que tem a Harley-Davidson como acionista majoritária, admitiu que pode não ter fôlego para seguir sozinha. No balanço do terceiro trimestre, divulgado na quinta-feira (29), a empresa disse haver "dúvida substancial" sobre sua capacidade de continuar operando.

Esse aviso tem um sentido técnico. Ele vale para o prazo de um ano após a divulgação das contas de setembro. Não é um pedido de falência, mas indica que a empresa não tem como garantir, sozinha, que seguirá funcionando nesse período.

Segundo o Electrek, as ações da LiveWire, negociadas na Bolsa de Nova York com o código LVWR, caíram mais de 40% na manhã de quinta. O comunicado e o Engadget não citam a queda.

Os números do trimestre

As vendas até cresceram. A receita foi de US$ 7,9 milhões entre julho e setembro, alta de 38% sobre o mesmo período de 2025. Ainda assim, o prejuízo continuou alto: US$ 18,6 milhões, pouco abaixo dos US$ 19,4 milhões de um ano antes.

O problema maior está no caixa. A empresa tinha US$ 82,8 milhões no fim de 2025 e chegou a 30 de setembro com US$ 39,9 milhões. Além disso, o patrimônio líquido ficou negativo em US$ 5,5 milhões. Em palavras simples, a LiveWire hoje deve mais do que tudo o que possui.

Entre as dívidas está um empréstimo com uma parte relacionada, ou seja, uma empresa ligada ao próprio grupo. Só a parte de longo prazo soma US$ 76,8 milhões. O comunicado não diz quem emprestou. Ele informa que a dívida vence em dezembro de 2027 e que os juros dessa operação somaram US$ 4,4 milhões em despesas desde janeiro.

A LiveWire também retirou a previsão que havia feito para 2026. Antes, a empresa esperava um prejuízo operacional de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões no ano.

Poucas motos, muitas bicicletas infantis

O total de unidades vendidas subiu 21%, para 7.233. Mas quase tudo isso vem da STACYC, marca de bicicletas elétricas de equilíbrio para crianças, que vendeu 6.992 unidades. As motos elétricas foram só 241 no trimestre, contra 184 um ano antes, alta de 31%.

Aqui as fontes divergem. O Electrek diz que as vendas de motos subiram 21%, mas esse é o crescimento do total de unidades. Pelo comunicado, a alta das motos foi de 31%.

A empresa afirma ter 80% do mercado americano de motos elétricas de rua com 50 kW de potência ou mais, no acumulado do ano até setembro. O dado vem do Motorcycle Industry Council, entidade do setor nos EUA. Por outro lado, o próprio número de 241 motos mostra que esse mercado ainda é pequeno.

Comitê pode buscar dinheiro ou vender a empresa

Em 22 de outubro, o conselho criou um comitê especial de reestruturação. Ele vai avaliar e negociar opções como financiamento, venda da empresa, reestruturação ou parcerias. Também nomeou Roy Gallagher como diretor de reestruturação. Segundo o comunicado, Gallagher passa a ser o principal executivo da LiveWire e responde a esse comitê.

Enquanto isso, a marca aposta em motos mais baratas. A linha S4 Honcho chegou ao mercado americano em agosto, na versão Trail, e a versão Street foi entregue às concessionárias em outubro. Segundo o Electrek e o Engadget, o preço inicial da série fica abaixo de US$ 5.000. Na Europa, a Trail deve chegar em outubro e a Street em novembro.

Nossa leitura

O retrato é de uma empresa que vende mais, mas ainda gasta muito mais do que fatura. Só a divisão de motos teve prejuízo operacional de US$ 17 milhões no trimestre, com receita de US$ 2,7 milhões. Na nossa conta, o prejuízo foi mais de seis vezes a receita.

Nos nove primeiros meses do ano, a operação consumiu US$ 38,3 milhões. Nesse ritmo, o caixa de setembro duraria menos de um ano. Por isso, o destino da marca depende de dinheiro novo, de um comprador ou de mais apoio da Harley-Davidson.

O que ainda não sabemos

  • Se a Harley-Davidson vai colocar mais dinheiro na LiveWire. O comunicado não traz fala de nenhum executivo.
  • Quem são os possíveis interessados numa compra ou parceria, se houver.
  • Qual a participação exata da Harley hoje. O comunicado fala só em acionista majoritária. O Engadget lembra que eram 74% em 2022, dado de uma reportagem antiga da Reuters.
  • O que muda para quem já tem ou pensa em comprar uma moto da marca, como garantia e peças.

O relatório trimestral completo, o formulário 10-Q, deve sair até 9 de novembro e pode trazer mais detalhes.

Leia também: Tesla adia o FSD sem supervisão e promete o Cybercab e Kodiak vai pôr 75 caminhões sem motorista na frota da DTL.

Fontes

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