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Sonda Lucy, da NASA, chega à região dos troianos de Júpiter

Cinco anos após o lançamento, a Lucy se aproxima do ponto L4 de Júpiter, onde orbitam os troianos que seguem à frente do planeta. O primeiro sobrevoo, do asteroide Eurybates e de sua lua Queta, está marcado para 11 de agosto de 2027.

Foguete Atlas V decola à noite da plataforma de lançamento, entre torres metálicas, com uma grande nuvem de vapor branco à direita
Foto: NASA/Bill Ingalls

A sonda Lucy, da NASA, chegou à região dos asteroides troianos de Júpiter, um lugar que nenhuma nave tinha visitado. O anúncio saiu em 28 de outubro, no blog oficial da missão, em texto de Katherine Kretke, do Southwest Research Institute (SwRI). Desde o lançamento, em 16 de outubro de 2021, a sonda percorreu mais de 2,2 bilhões de milhas, cerca de 3,5 bilhões de quilômetros.

Onde a Lucy está

Os troianos são asteroides que dividem a órbita de Júpiter em volta do Sol. Eles se concentram em dois grupos. Um viaja à frente do planeta, em torno do ponto de Lagrange 4 (L4). O outro segue atrás, em torno do ponto L5. Segundo a NASA, são duas grandes "ilhas de estabilidade" ainda inexploradas.

A Lucy está se aproximando do L4, o grupo da frente. Hoje, ela está mais de cinco vezes mais longe do Sol do que a Terra está. O próprio blog admite que não há fronteiras bem definidas no espaço. Ainda assim, os engenheiros da missão sabem que a sonda está entrando na região.

As distâncias por lá são enormes. Os troianos ficam tão longe de Júpiter quanto o planeta fica do Sol: cerca de 484 milhões de milhas, ou perto de 780 milhões de quilômetros. Além disso, estão separados entre si por mais de 6 milhões de milhas em média, quase 10 milhões de quilômetros. Ou seja, a região é quase toda vazia.

O calendário dos sobrevoos

A primeira visita será ao asteroide Eurybates e à sua pequena lua, Queta, em 11 de agosto de 2027. Depois, vêm os outros encontros, com datas da página da missão e do blog de 28 de outubro:

  • 14 de setembro de 2027: Polymele e uma lua ainda sem nome;
  • 18 de abril de 2028: Leucus;
  • 11 de novembro de 2028: Orus;
  • 2030: volta à Terra para a terceira assistência gravitacional, segundo o blog;
  • 3 de março de 2033: o par Patroclus e Menoetius, que giram um em volta do outro.

No total, a página da missão fala em 11 asteroides, oito deles troianos, contando as luas. Antes de chegar lá, a Lucy já passou por asteroides do cinturão principal. Foram Dinkinesh, com o satélite Selam, em novembro de 2023, e Donaldjohanson, em abril de 2025.

Como serão as passagens

Os encontros vão ser rápidos. Segundo um post de agosto da equipe, a sonda vai passar a até 16 mil milhas por hora, cerca de 25,7 mil km/h. Na maior aproximação, ficará a algo entre 300 e 600 milhas do alvo, ou seja, de 480 a 970 quilômetros. No caso de Eurybates, o blog de 28 de outubro fala em poucas horas de estudo de perto.

Por isso, a equipe já começou a ensaiar. Na primavera do hemisfério norte, a Lucy apontou sua câmera de alta resolução, a L'LORRI, para Eurybates, Polymele, Leucus e Orus. As imagens foram processadas em julho. O objetivo foi escolher os melhores ajustes de câmera para cada sobrevoo.

Há um detalhe de iluminação nesses testes. Da Terra, os troianos aparecem quase totalmente iluminados. Já a Lucy vai vê-los parcialmente na sombra. Assim, a câmera precisa mostrar detalhes da superfície sem deixar a imagem escura ou estourada demais. Segundo o blog de 28 de outubro, a sonda e os instrumentos seguem funcionando como esperado.

Por que os troianos importam

Os cientistas esperam que os troianos ajudem a entender como os planetas do Sistema Solar se formaram, há cerca de 4,5 bilhões de anos. A página da missão os chama de "cápsulas do tempo" do nascimento do Sistema Solar. A hipótese é que sejam restos do mesmo material que formou Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A NASA trata isso como provável, não como certo.

A sonda mede mais de 16 metros de uma ponta à outra. Os painéis solares têm mais de 7 metros de diâmetro, segundo a página da missão.

O que ainda não sabemos

  • Como são os troianos de perto: forma, crateras e composição de cada alvo só serão conhecidas nos sobrevoos.
  • A lua de Polymele: ela ainda não tem nome, e a NASA não detalhou seu tamanho nas páginas consultadas.
  • Os asteroides do cinturão principal: a página da missão fala em três, mas cita só dois pelo nome.
  • Imprevistos: a NASA não informa margens no cronograma caso algum sobrevoo precise ser ajustado.

Nossa leitura

A Lucy é uma missão de paciência. Segundo o post de agosto, a jornada é de 12 anos, para passar algumas horas perto de cada alvo. Esse modelo de sobrevoo rápido também aparece em outras missões da agência, que dependem de autonomia e de ensaios feitos com antecedência. O mesmo cuidado aparece no voo simulado do drone Dragonfly para Titã. Agosto de 2027 será o primeiro teste real desse plano.

Leia também: poeira de Marte e os trajes espaciais e o fim do observatório Swift.

Fontes

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