Vendas de PCs caem 21% no 3º trimestre, segundo a Counterpoint; Apple e ASUS perdem menos
Dados preliminares da Counterpoint Research apontam 57 milhões de computadores enviados no terceiro trimestre de 2026, queda de 21% em um ano. Memória e componentes mais caros puxaram os preços. Apple e ASUS caíram menos que as rivais, e a consultoria prevê queda de 27% no fim do ano.

O mercado mundial de computadores encolheu com força no terceiro trimestre de 2026. Segundo dados preliminares da Counterpoint Research, divulgados na quinta-feira (22), os fabricantes enviaram 57 milhões de PCs entre julho e setembro. Isso representa uma queda de 21% em relação ao mesmo período de 2025 e de 13,8% frente ao trimestre anterior.
Esta matéria se baseia no relatório da Counterpoint e nas reportagens da Engadget e da MacRumors. Por serem preliminares, os números ainda podem mudar.
O resultado de cada marca
Todas as cinco maiores fabricantes perderam volume. A diferença está no tamanho da queda. Pelos números da consultoria, ficou assim:
- Lenovo: 15 milhões de unidades, queda de 23% e 26,3% do mercado. Segue na liderança.
- HP: 10,3 milhões, queda de 31% e 18,1% do mercado. Foi a maior perda entre as seis maiores, segundo a consultoria.
- Dell: 7,6 milhões, queda de 25% e 13,3% do mercado.
- Apple: 5,6 milhões, queda de 11%. A fatia subiu de 8,7% para 9,8%.
- ASUS: 5,2 milhões, queda de 7%. A fatia passou de 7,8% para 9,2%.
Juntas, as cinco somam 76,7% dos envios. As demais marcas enviaram 13,3 milhões de unidades, 16% a menos que um ano antes. Além disso, a Counterpoint destaca que a ASUS cresceu 19,4% em relação ao segundo trimestre.
Por que o mercado caiu
A explicação da consultoria gira em torno do preço. Segundo a Counterpoint, memória e outros componentes ficaram mais caros, o que encareceu os computadores e freou a procura. Com isso, o consumidor doméstico adiou a troca de máquina. Já as empresas seguraram um pouco melhor, por causa da renovação de frotas e da migração de Windows, mas não o bastante para evitar a queda.
Há também um efeito de comparação. O terceiro trimestre de 2025 foi forte, segundo a consultoria, porque muita gente comprou antes do fim do suporte ao Windows 10. Naquele período, os fabricantes também ajustaram estoques por causa das tarifas. Portanto, parte da queda vem de uma base de comparação inflada.
Minsoo Kang, analista sênior da Counterpoint, disse que a alta da memória e dos componentes está empurrando os preços dos sistemas para cima. Para Kang, até as líderes do mercado têm dificuldade de manter o ritmo de vendas.
Onde as fontes não batem
A Engadget acrescenta dois fatores que o relatório não cita como causa deste trimestre. O primeiro são as tarifas globais. O segundo é a corrida às compras no início de 2026, antes da alta de preços, que teria antecipado parte da demanda. A Engadget também liga a alta da memória à escassez provocada pela demanda de inteligência artificial. A Counterpoint, por sua vez, fala só em custo de memória e componentes, sem atribuir a origem.
Outro ponto: a Engadget diz que o mesmo trimestre de 2025 teve mais de 70 milhões de unidades. O relatório da Counterpoint não traz esse total, embora a conta com a queda de 21% chegue perto de 72 milhões. Por fim, a matéria da Engadget traz uma publicação da IDC, que mediu queda de 20,1% no mundo. Trata-se de outra consultoria, com outro método. Assim, os dois números não devem ser misturados.
A Apple e o MacBook Neo
Segundo a Counterpoint, o MacBook Neo ajudou a amortecer a queda da Apple. A MacRumors usou o dado para dizer que a Apple superou as rivais. Ainda assim, vale olhar o número inteiro. A empresa enviou 11% menos Macs que um ano antes. Ou seja, a fatia cresceu porque o mercado caiu mais rápido, não porque a Apple vendeu mais. Entre as cinco maiores, só a ASUS perdeu menos.
O relatório não diz quantas unidades do Neo foram enviadas. A Engadget o descreve como um modelo de entrada da Apple.
O que vem pela frente
A previsão da consultoria é de piora antes da estabilidade. Para o quarto trimestre de 2026, a Counterpoint espera queda de 27% em um ano. Já para 2027, a projeção é de volume parecido com o de 2026, ou seja, estável num patamar mais baixo.
David Naranjo, diretor associado da consultoria, chamou o momento de ajuste estrutural. Segundo Naranjo, "estabilização não deve ser confundida com recuperação". A Counterpoint também espera que as fabricantes priorizem configurações que absorvam a alta dos componentes. Na prática, isso deixaria menos opções baratas nas lojas.
Nossa leitura
O dado mais relevante não é a queda em si, e sim a previsão. Uma queda de 27% no fim do ano, logo depois de 21% agora, indica que, na avaliação da consultoria, o efeito do preço da memória ainda vai piorar antes de estabilizar. Para quem pensa em trocar de computador, a mensagem da consultoria é que modelos baratos tendem a ficar mais raros. Além disso, o desempenho relativo de Apple e ASUS sugere que algumas marcas resistem melhor quando o preço vira o fator principal. No caso da Apple, a Counterpoint liga isso ao MacBook Neo; para a ASUS, as fontes não dão o motivo.
O que ainda não sabemos
- Os números finais. Os dados são preliminares e podem ser revisados.
- O efeito no Brasil. Nenhuma das fontes lidas traz dados por país.
- Quanto o MacBook Neo vendeu. O relatório não separa o modelo.
- Quando os preços da memória param de subir. O relatório tem um gráfico de tendência, mas não traz valores no texto.


