Google: escola dos EUA que bloquear a IA para alunos fica sem a Busca
O Google vai deixar Gemini e outras ferramentas de IA desligadas para contas de alunos até a escola ligar. Mas a Busca entra no mesmo pacote, e o executivo da área disse ao New York Times que aluno de escola que proibir IA não terá acesso a ela. O anúncio não cita o Brasil.

As ferramentas de inteligência artificial do Google vão ficar desligadas para contas escolares de alunos até que a escola decida ligá-las. A mudança foi anunciada na terça-feira (3) por Chris Phillips, vice-presidente e gerente-geral de Educação da empresa. Mas há um efeito colateral. O anúncio trata de escolas americanas e não cita o Brasil. Em entrevista ao New York Times, Phillips disse que aluno de escola que proibir a IA não terá acesso à Busca do Google.
A regra vale para contas de estudantes do ensino básico (nos Estados Unidos, K-12, do jardim de infância ao fim do ensino médio). O texto oficial não fala em idade, só em contas de alunos.
O que fica desligado
No blog da empresa, Phillips lista quatro produtos. São eles o assistente Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini dentro do Google Classroom e a própria Busca. Segundo o texto, o acesso ficará "totalmente desligado" para alunos até que os administradores da escola liguem de forma explícita.
Ao Engadget, o Google acrescentou que cada produto poderá ser ligado separadamente. Portanto, a escola não precisa escolher entre tudo ou nada. Já o TechCrunch cita o NotebookLM, outro serviço do Google, entre os afetados. O blog oficial e o Engadget, por outro lado, falam em Gemini Notebook.
Por que a Busca vai junto
O blog inclui a Busca na lista, mas não explica por quê. A explicação veio na entrevista ao New York Times, citada pelo TechCrunch e pelo Engadget. Segundo os dois sites, Phillips disse que "Busca e IA estão profundamente integradas". Assim, numa escola que restringir a IA, o aluno verá uma mensagem avisando que a Busca não está disponível.
Na prática, a escola que quiser manter o buscador terá de aceitar a IA que hoje vem dentro dele. É o caso dos resumos automáticos no topo dos resultados. O TechCrunch observa que professores podem não querer que os alunos usem esses resumos. Já o Engadget levanta a hipótese de que algumas redes passem a considerar outros buscadores. Essa é uma especulação do site, não uma informação do Google.
Um recuo anterior
Segundo o Engadget, o anúncio vem depois de outro recuo. Em agosto, o Google ligou alguns recursos de IA por padrão no Classroom, plataforma de aulas usada por muitas escolas. Professores reclamaram, como relatou o New York Times, e a empresa voltou atrás.
O cenário nos Estados Unidos ajuda a entender a pressão. Em setembro, a cidade de Nova York suspendeu por um ano o uso de ferramentas de IA generativa por alunos da rede pública até o 8º ano, informa o Engadget. No mesmo mês, a rede pública de Los Angeles adotou uma proibição parecida. Além disso, na semana passada, a governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, sancionou uma lei contra certos recursos de chatbot para menores.
Um tutor de IA no lugar da resposta pronta
Ao mesmo tempo, o Google ampliou o Aprendizado Guiado (Guided Learning). Nesse modo, a IA conduz o aluno pela solução de um problema passo a passo, em vez de entregar a resposta. Desde terça, ele está disponível no mundo todo dentro do Classroom, ligado ao material da turma. Segundo o Engadget, o professor poderá ler as conversas dos alunos com o assistente.
Na Busca, o recurso aparece para contas de estudantes. Por exemplo, quando alguém cola um problema de física ou pede ajuda para escrever um trabalho sobre um livro. Ainda neste mês, o Google começa um teste em escolas selecionadas dos Estados Unidos. Depois, o modo deve chegar a outras redes nos meses seguintes. A empresa afirma que o recurso traz ganhos de aprendizagem mensuráveis, mas o blog não apresenta números.
E no Brasil?
O Google for Education é muito usado nas escolas brasileiras desde a pandemia, segundo reportagem do Catraca Livre de agosto de 2025, que não traz números. O Aprendizado Guiado, citado acima, já está disponível no mundo todo dentro do Classroom, o que inclui o Brasil. Já a regra de deixar a IA desligada para contas de alunos aparece no blog sem citar países. O Google fala só em contas do ensino básico (K-12), e o teste da Busca é apenas para escolas dos Estados Unidos. O Brasil não é mencionado.
Há ainda uma contradição para acompanhar. A página de ajuda do Google para administradores, atualizada em 28 de outubro, diz que o Gemini no Classroom vem ligado por padrão para usuários de todas as idades, e que a escola pode desligá-lo no console de administração. O blog de 3 de novembro diz o contrário para contas de alunos do ensino básico: tudo desligado até o administrador ligar. A empresa afirma que os detalhes virão nos próximos meses.
Nossa leitura: como as escolas brasileiras que usam o Classroom têm o mesmo console de administração, é provável que o controle para ligar e desligar o Gemini chegue a elas. Mas ninguém confirmou que o Brasil entra na regra, nem se a Busca será afetada aqui. A pergunta segue em aberto.
O que ainda não sabemos
A data é a primeira dúvida. O blog diz apenas que o Google vai passar mais detalhes às escolas "nos próximos meses", antes da mudança. O TechCrunch, por sua vez, afirma que o desligamento acontece no ano que vem. Nenhuma fonte traz uma data exata.
Também não está claro se a regra vale da mesma forma fora dos Estados Unidos, como mostra a seção sobre o Brasil. Por fim, não se sabe quantas escolas ou alunos serão afetados.
Nossa leitura
Dar à escola o controle sobre a IA atende a pedidos de professores e escolas. Mas, ao tratar a Busca como mais um produto de IA, o Google transforma a escolha em um pacote. A escola que quiser evitar os resumos automáticos perde também o principal buscador da internet. Ou seja, o "pode desligar" vem com um custo alto, e quem define esse custo é o Google.
Leia também: ChatGPT vai restringir informações sobre armas para menores de 18 e Gemini 4 Argon chega à API do Google com preço promocional.
Fontes
- GoogleDesigning responsible AI for learning
- TechCrunchGoogle will let schools disable its AI tools, but not without sacrificing Search
- EngadgetGoogle says that students in schools that ban AI won't have access to Search
- Google Workspace for EducationGerenciar o acesso ao Gemini na Sala de Aula
- Catraca LivreEscolas no Brasil ganham reforço com IA gratuita do Google


