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OpenAI corta meta de investimento para US$ 20 bi, diz imprensa

A dona do ChatGPT buscava até US$ 30 bilhões numa nova rodada antes de abrir o capital. Segundo o Financial Times e a CNBC, a meta caiu para até US$ 20 bilhões, e o Wall Street Journal fala em US$ 11 bilhões garantidos. A OpenAI não comentou, e o valor da empresa nesta rodada aparece de formas diferentes nas reportagens.

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, de suéter cinza e microfone de lapela, durante palestra
Foto: Steve Jurvetson, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

A OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, baixou a meta da sua nova rodada de investimento. Antes, a empresa buscava até US$ 30 bilhões. Agora, o alvo é de até US$ 20 bilhões, segundo o Financial Times. A CNBC confirmou o corte no sábado (31) com uma pessoa ligada ao negócio. Essa pessoa avisou, porém, que os números ainda podem mudar.

A rodada não terminou. Segundo a CNBC, ela "ainda está em andamento". Além disso, a OpenAI não comentou o assunto. A empresa não respondeu à CNBC e não teve resposta publicada pelo TechCrunch, que também a procurou.

Quanto já entrou

O Wall Street Journal deu um número mais concreto: US$ 11 bilhões já garantidos, de acordo com o resumo do TechCrunch. O mesmo jornal disse que alguns grandes investidores receberam a proposta de forma "morna". Já o FT relatou que parte dos investidores reduziu o valor que pretendia aplicar.

Segundo o FT, o primeiro fechamento da rodada deve ficar abaixo de US$ 20 bilhões. Depois, uma oferta para pessoas ricas poderia completar a meta. O jornal também disse que a OpenAI deu aos investidores um prazo até sexta-feira para confirmar a participação.

Quem lidera o negócio continua igual. Investidores dos Emirados Árabes Unidos estão à frente, ao lado do fundo Coatue, segundo a CNBC. Em outubro, o canal disse ainda que a OpenAI negociava, em paralelo, um acordo para obter mais capacidade de computação dos Emirados.

De US$ 1,4 trilhão a US$ 1,25 trilhão

A rodada encolheu em pouco mais de um mês. Em 29 de setembro, a Bloomberg disse que a OpenAI conversava para levantar pelo menos US$ 30 bilhões. Nesse caso, a empresa valeria cerca de US$ 1,4 trilhão, segundo a Bloomberg. Em 22 de outubro, a CNBC falou em até US$ 30 bilhões, com valor de US$ 1,25 trilhão. Na época, a OpenAI disse a investidores que queria as assinaturas até o fim da semana seguinte.

Há uma divergência sobre esse valor de US$ 1,25 trilhão. Em 22 de outubro, a CNBC disse que ele não incluía o dinheiro novo. Ou seja, seria o valor da empresa antes do aporte. Já no sábado (31), o mesmo canal citou o FT com US$ 1,25 trilhão depois do aporte. Na segunda conta, a empresa sai da rodada valendo um pouco menos. As reportagens não resolvem essa diferença.

Em março, para comparar, a OpenAI levantou US$ 122 bilhões e foi avaliada em US$ 852 bilhões, já contando o dinheiro novo.

Por que isso acontece agora

O TechCrunch vê parte do problema no momento. Wall Street ficou mais desconfiada dos gastos pesados com infraestrutura de IA, e houve uma queda de ações de tecnologia. A CNBC deu números dessa queda. Na sexta-feira, a Intel caiu 25%, a Micron recuou 5,5% e a Nvidia perdeu 4%. Microsoft, Alphabet e Amazon divulgaram gastos com investimento abaixo do que analistas esperavam.

Os planos da OpenAI são caros. Em fevereiro, a empresa disse a investidores que mira cerca de US$ 600 bilhões em gastos com computação até 2030, segundo a CNBC. Por outro lado, a receita cresce rápido. Pela Bloomberg, citada pelo TechCrunch, a receita anualizada chegou a US$ 40 bilhões em agosto, alta de 70% desde julho.

A ponte até a bolsa

A nova rodada funciona como uma ponte até a abertura de capital. A OpenAI entregou à SEC, a comissão de valores dos EUA, um pedido confidencial de abertura de capital em junho. Mesmo assim, ainda não disse quando pretende estrear na bolsa. Em agosto, a diretora financeira, Sarah Friar, disse a funcionários que a empresa será de capital aberto em 2027, segundo a CNBC. Em setembro, Sam Altman, presidente-executivo, afirmou que agora seria um momento "mal aconselhado" para abrir o capital.

Enquanto isso, a rival Anthropic já deu passos maiores rumo à bolsa. Em maio, ela levantou US$ 65 bilhões com avaliação de US$ 965 bilhões, diz a CNBC. Depois, em 26 de outubro, tornou público o pedido de abertura de capital na Nasdaq. Segundo reportagem citada pela CNBC, a Anthropic busca um valor entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões na estreia.

O que ainda não sabemos

  • Qual será o valor final da rodada e quando ela fecha.
  • Quanto a OpenAI vale nesta rodada: se US$ 1,25 trilhão é antes ou depois do dinheiro novo.
  • Quem são os investidores dos Emirados e quanto cada um vai aplicar.
  • Se o acordo de computação com os Emirados saiu do papel.
  • Se a meta menor muda o calendário da abertura de capital.

Nossa leitura

US$ 20 bilhões ainda é muito dinheiro. Ainda assim, o recuo de um terço em poucas semanas é um sinal. Os investidores parecem menos dispostos a pagar qualquer preço por empresas de IA. O mesmo clima pode pesar sobre a Anthropic: o TechCrunch avalia que a abertura de capital da rival também pode enfrentar dificuldades.

Leia também: Anthropic pede IPO na Nasdaq e mostra suas contas e GPT-6 chega ao ChatGPT com a Interface Inteligente.

Fontes

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