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NASA busca empresas para salvar o Hubble, que deve cair até 2034

A agência abriu uma consulta a empresas privadas sobre três caminhos para o telescópio. Elas podem propor subir a órbita para estender a vida útil, fazer manutenção para melhorar os equipamentos ou guiar a reentrada no fim da missão. As respostas vão até 30 de novembro. O anúncio não cita contrato nem verba.

Telescópio espacial Hubble, um cilindro prateado com antenas, em órbita sobre a Terra coberta de nuvens
Foto: NASA

A NASA quer saber se empresas privadas conseguem prolongar a vida do telescópio espacial Hubble. Em 29 de outubro, a agência publicou um pedido de informações, uma espécie de consulta ao mercado. O anúncio não fala em contrato nem em valores. O motivo é a órbita. O Hubble está perdendo altitude aos poucos e, segundo análise da NASA, deve reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034.

O que a NASA está pedindo

Segundo o anúncio da agência, publicado em 30 de outubro, a consulta busca interesse comercial em três frentes. A primeira é uma missão para elevar o Hubble a uma altitude maior e, assim, estender sua vida científica. A segunda é fazer manutenção no telescópio para melhorar sua capacidade. Por fim, a terceira é conduzir uma reentrada segura e controlada na atmosfera, ou outro tipo de descarte em órbita, quando a missão acabar.

As respostas podem ser enviadas até 15h de segunda-feira, 30 de novembro, no horário da costa leste dos EUA. Em Brasília, isso equivale a 17h. O link do anúncio leva ao documento no SAM.gov, o portal de contratações do governo americano.

Por que o prazo é 2032

O Hubble não tem motor próprio para manter a órbita. Como todo objeto em órbita baixa, ele sofre o arrasto da atmosfera, a resistência do ar muito rarefeito que existe nessa altura. Esse atrito faz o telescópio descer devagar. Por isso, a NASA calcula que uma eventual missão precisaria acontecer até 2032. No entanto, o anúncio não diz se essa data vale para o lançamento ou para a chegada ao telescópio.

A altitude atual também não aparece no comunicado. Sem esse número, não dá para estimar quanto o Hubble ainda pode descer antes de a ciência ficar comprometida.

O que dizem os chefes da agência

O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse que o Hubble ainda tem ciência importante pela frente. Segundo Isaacman, se houver formas inovadoras e econômicas de estender a vida de um equipamento já em órbita, a agência precisa estudá-las. "Devemos isso ao contribuinte americano e à comunidade científica", afirmou.

Nicky Fox, que comanda a área de missões científicas da NASA, chamou o telescópio de ícone nacional. Para Fox, a indústria evoluiu rápido nos últimos anos em captura e manutenção de satélites no espaço. Além disso, a NASA quer explorar opções para subir o Hubble enquanto desenvolve a grande missão que vai sucedê-lo. O anúncio não dá o nome nem o prazo dessa missão.

A lição do Swift

A consulta chega poucos dias depois de outro telescópio da NASA perder a mesma corrida contra o arrasto. O observatório Swift fez a última observação em 20 de outubro, ao atingir 275 km de altitude, e a reentrada era esperada para as semanas seguintes. Em setembro de 2025, a agência tinha contratado a Katalyst Space para elevar a órbita dele. A nave da empresa chegou ao espaço em julho de 2026, mas teve problemas e nem tentou o reboque. Veja como foi o fim do Swift.

Nossa leitura: o caso do Swift ajuda a entender o calendário. Com prazo curto, uma nave de reboque nova e sem histórico vira aposta arriscada. No Hubble, a NASA abre a conversa com cerca de cinco a seis anos de folga até 2032. Além disso, o pedido inclui a reentrada controlada. Isso sugere que a agência quer ter um plano para o fim do telescópio, e não só para estender a vida dele.

Um telescópio de 36 anos

O Hubble foi lançado em 24 de abril de 1990. Ele é um projeto conjunto da NASA com a ESA, a agência espacial europeia. O Centro Goddard, em Maryland, cuida do telescópio e das operações, com apoio da Lockheed Martin. Já o Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, em Baltimore, comanda as operações científicas. O telescópio já recebeu visitas de manutenção no passado. A foto do anúncio, por exemplo, mostra o Hubble logo depois da segunda delas, em fevereiro de 1997.

O que ainda não sabemos

  • Quanto custaria qualquer uma das três opções. O anúncio não cita verba nem valores.
  • Quais empresas devem responder. A NASA não nomeia interessadas.
  • Se uma manutenção teria astronautas ou só robôs. O comunicado não diz.
  • Quando a NASA decide os próximos passos depois de 30 de novembro.
  • Qual é a altitude atual do Hubble e o ritmo exato da descida.

Também não está claro se a consulta é o primeiro passo para uma contratação. A NASA não informa o que fará com as respostas nem se haverá uma concorrência depois.

Leia também: NASA encerra o Swift após quase 22 anos e Sonda Lucy chega aos troianos de Júpiter.

Fontes

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